Como a indústria têxtil se prepara para vencer até 2020

Posted by luis 20/07/2016 0 Comment(s)

Os têxteis portugueses prometem exportar mais. A previsão é chegar ao final da década com 5 mil empresas, 100 mil trabalhadores e 5 mil milhões de euros de exportações.

Margarida Cardoso |
16:30 Quarta feira, 24 de setembro de 2014
A indústria têxtil portuguesa exporta 70% do que produz

A indústria têxtil portuguesa exporta 70% do que produz / Egídio Santos

 "Vestir simplesmente pessoas, casas ou carros, passou a ser o paradigma do passado, pois a Têxtil e o Vestuário buscam soluções que não se confinam aos modelos clássicos" e os especialistas referem que "mais de 70% dos têxteis que vamos usar nos anos vindouros nem sequer estão ainda concebidos", diz o novo Plano Estratégico que procura ajudar o sector a encontrar o seu caminho depois das "reestruturações duríssimas" na primeira década do século XXI.

O documento, elaborado com os contributos de Paulo Vaz, Ana Paula Dinis e Daniel Agis, começa por fazer o diagnóstico de um sector que perdeu 30% da mão-de-obra e 20% das suas empresas desde 2007, mas viu as exportações crescerem 8% e tem vindo a ganhar quotas nos mercados não comunitários.

Num país que exporta 70% dos têxteis que produz, num total de 4,3 mil milhões de euros, agrega seis mil empresas e emprega 120 mil trabalhadores neste sector, o sucesso futuro passa por eixos como a capitalização das empresas, investimento na gestão das organizações e ganhos de dimensão crítica, através da cooperação empresarial, competitividade e exportações, inovação nos produtos, moda, design e tecnologia, valorização dos recursos humanos e empreendedorismo.

"Um sector só tem futuro se existir regeneração do seu tecido empresarial", diz o Plano Estratégico, atento às modificações que o crescimento do comércio eletrónico vai trazer ao negócio, mas, também ao espaço para nascerem novos projetos, por via de spin-offs, nas empresas já estabelecidas.

A força dos têxteis técnicos

É verdade que a indústria têxtil é um cluster resiliente, e o Made in Portugal já acrescenta valor ao produto, mas é "um cluster incompleto", a que falta, ainda, uma componente de produção de bens de equipamento, "como vetor adicional de inovação e promotor de eficiência e produtividade, ou pelo menos um significativo número de empresas produtoras de software", alerta o trabalho.

Quanto ao futuro, o Plano Estratégico da ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal aponta três caminhos, centrados na marca, na tecnologia e no "private label", sublinhando que "não há fórmulas de sucesso para serem aplicadas universalmente".

A criação de coleções próprias, distinguidas por marcas relacionadas com o consumidor final através de redes de retalho, será a via "mais difícil e complexa" pela exigência de recursos materiais e humanos, pelo fator tempo e por implicar a entrada num negócio "totalmente distinto do têxtil industrial". "Não é pois uma via aberta a muitos, até porque o mercado interno, onde normalmente se testam conceitos e projetos, é pequeno, pobre e saturado de oferta e com dificuldades de pagamentos, emergindo penosamente de uma crise de consumo interno", reconhecem os autores do trabalho.

No entanto, dizem, "é de admitir que, até 2020, cerca de 25% das empresas do sector - e igual percentagem do volume de negócios - possa estar afeto às marcas e à distribuição de coleções de moda".

A segunda via, voltada para a diversificação industrial, investigação e desenvolvimento de competências no domínio dos têxteis técnicos e funcionais pode trazer mais do que uma evolução e impor "uma verdadeira rutura" numa fileira que tem hoje 200 empresas a trabalhar no subsetor dos têxteis técnicos, garantindo, aqui, apenas 20% do seu volume total de faturação, contra percentagens de 40% na Alemanha ou 70% na Finlândia.

No horizonte de 2020, o trabalho aponta para o crescimento da indústria têxtil nacional nesta área, até atingir uma quota próxima dos 30% do volume de negócios gerado.

Certo é que a maioria do sector continuará a trabalhar "private label", para terceiros, mas com a oferta de novas soluções e serviços, do desenvolvimento de produto à logística. "Em 2020, ainda encontraremos entre 45% a 50% das empresas a trabalhar neste subsetor", dizem os autores.

Três cenários para o futuro

Quanto a cenários, a instabilidade vivida nos últimos anos leva o Plano Estratégico a considerar três quadros: ouro, prata e chumbo, preparando o sector para o melhor e o pior, até porque "o seu futuro estará mais dependente de fatores externos do que internos".

No quadro mais pessimista, ou "cenário chumbo", cabe a desintegração da fileira para agregar menos de duas mil empresas "extremamente frágeis", com dificuldades competitivas, incapazes de gerar mais de três mil milhões de euros de negócios. As exportações seriam, então, inferiores a dois mil milhões de euros.

A visão mais otimista, ou "cenário ouro", "compatível com o quadro atual", na opinião de Paulo Vaz, revela uma fileira ativa e dinâmica, potenciada por fusões e aquisições para obter escala e massa crítica. Haverá uma aposta na inovação tecnológica em produtos e processos, com capacidade de diferenciação face à concorrência, "impondo o Made in Portugal" e um conjunto de marcas de origem nacional "fortemente internacionalizadas".

Será um cenário com menos empresas e trabalhadores do que na atualidade, mas que permitirá recuperar o recorde de exportações registado em 2001. A projeção refere cinco mil empresas, 100 mil trabalhadores diretos, um volume de produção de 6,5 mil milhões de euros e exportações de cinco mil milhões de euros. No total nacional, as exportações do têxtil e vestuário deverão absorver, então, 7% das vendas do país ao exterior, contra os 9% atuais.


fonte : http://expresso.sapo.pt/como-a-industria-textil-se-prepara-para-vencer-ate-2020=f890828#ixzz3Jvmti4Q

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